Sua empresa já fez media training? A expressão americana é usada quando há o treinamento de um porta-voz dentro de uma empresa. Normalmente, os escolhidos são presidentes e diretores, para que concedam entrevistas quando necessário. 

O treinamento permite que o porta-voz seja capaz de lidar com situações de crise e seja o responsável por falar em nome da organização. O objetivo é gerar uma boa relação com a mídia e passar credibilidade ao público-alvo. Com um trabalho bem-feito, o porta-voz pode se tornar um especialista no assunto e uma fonte para os jornalistas. 

Veja no post de hoje como implementar o media training na sua empresa e qual a importância desse treinamento para o fortalecimento da imagem de seu negócio. 

Jornalistas x Assessores de comunicação 

A profissionalização das carreiras de jornalista e assessor de comunicação se misturaram ao longo dos anos no Brasil. O jornalismo no país teve início com a vinda da monarquia portuguesa. A carreira era desenvolvida por escritores e ligada a interesses políticos, com características opinativas e não informativas. 

Já a assessoria de comunicação surge no Brasil na década de 1970, trazida por empresas internacionais que já utilizavam esse conceito. As assessorias chegaram com o objetivo de desenvolver programas e ações para aperfeiçoar a qualidade de processos de comunicação das organizações — empresas, instituições públicas, organizações sociais — ou de indivíduos. 

Com a consolidação das duas profissões, houve a necessidade de uma ruptura entre elas e, assim, cada uma seguiu uma abordagem diferente. No início, era possível encontrar jornalistas que trabalhavam em meios de comunicação e, ao mesmo tempo, desempenhavam a função de assessoria nas empresas privadas. Essa relação não era ética, pois, como jornalista, o profissional privilegiava informações da empresa para qual prestava assessoria. 

Até a década de 1970, as empresas mantinham um distanciamento da imprensa e focavam os seus investimentos apenas em publicidade. Os modelos de gestão eram verticais e autoritários, com um raro cuidado com a comunicação interna. A partir do momento que as empresas começaram a produzir conteúdos informativos, como os press releases, elas passaram a ser valorizadas por jornais e rádios. 

Como funciona o treinamento

O formato do media training se adapta de acordo com a necessidade do cliente. Em alguns casos, o treinamento pode ser feito para uma equipe e não somente para um indivíduo. Alguns fatores são levados em consideração durante o treinamento:

  • comportamento;
  • importância da aparência;
  • expressão;
  • comunicação;
  • tipos de mídia.   

Além da informação dita em uma entrevista, outros fatores são levados em consideração, como o comportamento do porta-voz, sua aparência, a expressão que faz a cada pergunta e a maneira que se comporta em cada situação. Os porta-vozes precisam ser testados inúmeras vezes durante o media training para que em uma situação real não percam o controle e não prejudiquem a credibilidade da instituição.

A partir do momento que um funcionário é escolhido como porta-voz, ele precisará se manter atualizado sobre as informações da empresa e do setor ao qual ela pertence. O porta-voz não deverá conceder entrevistas sem o conhecimento prévio da assessoria e muito menos divulgar informações em off — dados confidenciais e não oficiais. Opiniões pessoais devem ser evitadas, pois a opinião do porta-voz deve ser consonante com a da instituição que ele representa. 

O treinamento é feito em duas etapas: uma teórica e outra prática.  

Apresentação teórica

Nesta fase, explica-se aos futuros porta-vozes como funcionam os bastidores de uma redação e quais são as peculiaridades de cada um: TV, rádio, impresso e meios digitais. Um glossário com termos utilizados no jornalismo e uma cartilha sobre o que deve ou não ser dito são apresentados aos porta-vozes. Termos técnicos devem ser evitados. 

Apresentação prática 

Nessa fase, os porta-vozes realizam simulações de entrevistas para os diferentes meios de comunicação. Em alguns casos, jornalistas de outras empresas podem ser contratados para simular situações diversas: coletiva de imprensa, entrevista sobre o lançamento de um novo produto e gerenciamento de crises. Todas as entrevistas são gravadas e o material é analisado. Posteriormente, são destacados os pontos positivos e os pontos de melhorias.

A importância do media training

Um profissional treinado traz credibilidade para a empresa e estreita os laços com a mídia e com o seu público-alvo. Os jornalistas procuram diariamente matérias para cobrir e quais os desdobramentos que elas podem trazer. O trabalho da assessoria em conjunto com o media training transformará a empresa em uma fonte de notícias com profissionais capacitados para entrevistas. 

Por exemplo, em uma situação hipotética, uma empresa do ramo industrial é a primeira a lançar no Brasil o processamento de elementos químicos. Assim, esses resíduos são transformados em matéria limpa e prontos para serem descartados no solo ou em rios.

É dever da assessoria produzir um press release divulgando essa novidade e convidando os jornalistas dos principais meios de comunicação para participar de uma entrevista coletiva. O porta-voz será responsável por esclarecer todas as dúvidas dos jornalistas e se for necessário, marcará outras entrevistas para aprofundar o assunto. 

Com essa sugestão de pauta, os jornalistas podem fazer o desdobramento para outras notícias. Como outras empresas fazem o descarte desses resíduos? Quais os perigos desse despejo incorreto?

Toda essa exposição sobre o assunto é benéfica para a empresa, pois de forma gratuita foi possível lançar o nome da organização como precursora em uma atividade, tornando-a referência sobre aquele assunto.

Media training e a gestão de crises

Nenhuma empresa deseja passar por uma crise durante a sua história, mas eventualmente passarão. Algumas já estiveram no palco central de polêmicas como: a Petrobras, a Samarco e a Itambé. O trabalho de gestão de crises é fundamental nesse momento e o media training é um dos fatores preponderantes para reverter a situação. 

O primeiro passo para estar bem preparado é criar um manual de crise. Nele devem constar quais medidas deverão ser tomadas, quem será o líder, quem fará parte do comitê e quem será o porta-voz. O manual deverá trazer medidas para todos os setores: desde o setor jurídico, que provavelmente será acionado, até a comunicação interna. 

Durante uma gestão de crises, o porta-voz deve ser o mais transparente possível e buscar esclarecer as informações dos jornalistas. Se não há um manual de crises e se não há porta-vozes treinados para responder a essas perguntas, logo a mídia e o público começarão a tirar as próprias conclusões sobre o problema e a empresa terá sua credibilidade abalada.

Por isso, é importante buscar profissionais e agências especializadas no trabalho de media training que saberão trabalhar a relação entre jornalistas e porta-vozes. Se você quer desenvolver um trabalho de media training na sua empresa, entre em contato conosco. Temos a solução ideal para o seu negócio!